Depois de algum tempo distante do blog, volto minhas postagens falando dessa
vez sobre escolas inclusivas. Como tomar a decisão certa para seu filho?
Muitos pais que possuem filhos com alguma dificuldade de aprendizagem ou
necessidade especial sempre ficam na dúvida entre matricular o filho em escola
regular ou especial. Como pedagoga, me sinto no direito de orientar qual o
melhor caminho a seguir. Como mãe, sempre dei importância a um ensino de
qualidade para meus filhos em local que ofereça conforto e segurança. Ver a satisfação
dos filhos ao permanecer na escola é o primeiro sinal que deve ser observado.
Certamente muitos fatores podem influenciar o choro e isso não quer dizer que o
fato da criança chorar ao chegar na escola seja um fator de preocupação. Tem a
questão da adaptação, das readaptações diárias, da volta as aulas, do primeiro
contato com a escola, etc. É necessário, portanto, o bom senso dos pais, levando
seus filhos a conhecer a escola na qual irão estudar para que dessa maneira
haja uma boa escolha em família. Para os alunos especiais, é essencial que os
pais procurem saber a quantidade de alunos e professores por turma pois
dependendo da dificuldade da criança, apenas um professor em sala não será
capaz de trabalhar de forma individualizada e integral com o aluno. Ao visitar
um colégio, procure saber qual é a sua principal orientação teórica e pelo discurso,
você pode perceber alguns dos princípios que a escola valoriza.
No Brasil, até o início do século 21, o sistema educacional abrigava dois
tipos de serviços: a escola regular e a especial onde o aluno frequentava uma
ou outra. Com a regulamentação mais recente que norteia a organização do
sistema educacional, o Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020) estabelece
entre outras metas e propostas inclusivas, a nova função da Educação especial
como modalidade de ensino que perpassa todos os segmentos da escolarização
partindo da Educação Infantil até o ensino superior. O PNE considera público
alvo da Educação especial na perspectiva da Educação inclusiva, educandos com
deficiência (intelectual, física, auditiva, visual e múltipla), transtorno
global do desenvolvimento (TGD) e altas habilidades.

Entendendo a criança como um ser humano integral, em constante crescimento e
desenvolvimento, que interage intensamente com o meio social em que se acha
inserida e levando em consideração que todos somos iguais perante a lei, a
escola regular é a melhor opção para crianças com necessidades especiais. É
nessa perspectiva que o sociointeracionismo se apresenta, ou seja, uma teoria
de aprendizagem com o foco na interação. No início do século XX, um psicólogo
russo chamado Lev Vygotsky, com suas pesquisas revolucionárias, propõe uma
situação de ensino em que o educando, por meio do seu convívio social e da
interação com outras pessoas é capaz de construir o seu conhecimento. Na escola
regular, todas as crianças são estimuladas a conviver com as diferenças, melhorando
assim a convivência em sociedade. Cabe ao professor procurar a melhor maneira
de interação e convívio para que as diferenças individuais possam ser o
diferencial de cada um. O mais importante, portanto, não é a escola se anunciar
como inclusiva, e sim, como ela trabalha com a questão da inclusão. Uma escola
que atua com uma abordagem sociointeracionista é, portanto, a proposta mais
interessante para o desenvolvimento dos alunos especiais.